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Reflexões sobre o isolamento social: Privacidade

A nossa casa é carregada de sentidos e pequenos detalhes que nos identificam com maior ou menor prazer. É um espaço que nos permite ter privacidade, um estado muito importante para sabermos diferenciar nós dos outros e os outros de nós. Na nossa privacidade reconhecemos nossa própria identidade, como somos, o que nos dá prazer, o que valorizamos. Não é por outro motivo que na fase da adolescência tudo o que desejamos é ter nosso próprio espaço. E seguindo essa tendência, quando nos tornamos adultos, ter apenas um quarto na casa dos pais é pouco, precisamos da nossa casa como meio para continuar nosso desenvolvimento como pessoas. É natural. 

E como estamos usando os espaços da casa que habitamos neste período de isolamento social? Pode ser estranho ficar tanto tempo num lugar que era quase “de passagem”. É uma ótima oportunidade para dar um novo significado e uso para certos lugares da casa que se tornaram inúteis diante de suas novas exigências. Se, no seu caso, o isolamento social oferece mais tempo para curtir coisas da sua casa que você normalmente não tem tempo, aproveite! Uma coisa é certa, a logística e rotina doméstica não são fáceis e exigem cooperação de todos.

E as condições urbanas em que você vive? A necessidade de isolamento social nos faz refletir sobre essa questão tão presente entre arquitetos e urbanistas. O tipo de espaço que habitamos, neste momento, faz muita diferença para encarar o isolamento social. Somos poucos privilegiados os que sentimos a presença benéfica do espaço físico. Você pensa nisso? Quais podem ser as consequências da falta de privacidade permanente e durante tanto tempo? Conflitos, estresse, falta de recursos emocionais para compreender os demais que dividem o espaço com você. Difícil. Mas, com sensibilidade e inteligência emocional, essa pode ser uma oportunidade para que as pessoas que convivem em pouco espaço façam uma auto-observação. Quanto da pressão vivida no interior de sua casa decorre da saturação de uma convivência que já não tem sentido, e quanto decorre da falta de oportunidade para se colocar no lugar do outro, de empatia? Essa reflexão pode ser muito útil em tempos de isolamento social, seja para fortalecer laços, seja para dar um fim de uma vez por todas.

#ficaadica: Que espaço eu ocupo na minha casa? Eu não entro na cozinha, não mexo no fogão...mas que espaços eu circulo? No momento das refeições o seu filho com deficiência se serve sozinho? Quais são as conversas? Dialogam sobre assuntos que o seu filho propõe? Como compartilham as preocupações? Decidir por si próprio o que quer fazer não significa que a pessoa não precisa de ajuda de terceiros, mas sim que deve partir dela a decisão. As informações com imagens simbólicas, sinalizações com cores, formatos e materiais diferentes servem para informar ou direcionar as pessoas em relação a compromissos, lugares, regras e informações diversas. Faça pequenos exercícios diários. Por exemplo: eu ouço o seu assunto, agora você ouve o meu. Eu preparo os alimentos, você ajuda com a louça… Isso permite que, mesmo com o isolamento social, todos estejam juntos de verdade, dividindo, compartilhando, e não tenhamos um auto-isolamento dentro de casa também.

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ela apoia a conquista de autonomia de pessoas com deficiências.

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