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Qual é o melhor momento de pensar no futuro do seu filho ou filha com deficiência?

Crédito imagem: acervo Paratodos.


Não sei quantos anos ele ou ela tem, mas te garanto que agora é a hora.

Quando nasce uma criança com deficiência ou se recebe um diagnóstico, os primeiros momentos dos familiares, em geral, são de “digestão” da informação. Depois, as pessoas partem para a busca de informações e acabam seguindo no caminho de tratamentos, consultas e terapias. E, assim, a vida vai fluindo num verdadeiro turbilhão. Quando seu filho ou filha ainda é criança, você se preocupa para que escola ela vai, onde será “aceita” e a maior preocupação é que ela esteja no ambiente escolar junto com outras crianças.

O Paratodos sempre dedicou muitos de seus esforços visando à inclusão na escola. Acreditamos que mais importante do que assegurar que a criança esteja na escola regular é garantir que ela, efetivamente, aprenda e progrida. Nós enxergamos a potência e a capacidade de todas as crianças. Frise-se: de todas elas e não apenas de algumas!

No entanto, sempre consideramos fundamental também pensar que essa criança vai sair da escola um dia e que 2/3 da nossa vida são passados na fase adulta. Assim, o Paratodos não pode se preocupar apenas com a inclusão escolar; a gente precisa pensar o indivíduo durante todo seu ciclo de vida. É preciso considerar que a pessoa vai sair da escola e, tal como todas as demais, ter uma profissão, um trabalho ou uma ocupação; precisa ter autonomia e construir sua independência como adulto, morar sozinho, ter seu próprio espaço, fazer suas opções e escolhas, ter uma vida amorosa e uma vida sexual. A vida adulta compreende todos estes aspectos e a vida de uma pessoa com deficiência não é diferente. Por que seria?

No ano passado, além de várias formações e sensibilizações em escolas públicas e particulares, participamos da implementação do piloto do “Projeto MP Inclusivo”, que contrata estagiários com deficiência para seus quadros. E muitos dos encontros dos grupos de estudos que promovemos na PUC-Rio centraram-se nos desafios da vida adulta da pessoa com deficiência, um deles, inclusive, com a presidente do Instituto JNG, Flávia Poppe.

Agora, em 2020, nós do Paratodos temos um novo desafio: estamos lançando, junto com a PUC-Rio, uma pós-graduação lato sensu para pensar no indivíduo de forma global. Queremos levar para a universidade e para profissionais de diferentes áreas de atuação a nossa proposta de reflexão sobre o presente e o futuro da pessoa com deficiência em todos os ambientes em que se encontra ou em que vai circular. É necessário, ainda, que essa reflexão seja estendida ao seu entorno, especialmente a família. Dessa forma, o curso de “Inclusão da Pessoa com Deficiência: aspectos psicossociais” tem como objetivo formar profissionais capazes de promover, de forma efetiva, a inclusão de pessoas com deficiência em todos os campos sociais: escola, trabalho e sociedade. Com essa iniciativa, queremos concretizar o nosso lema: que nenhuma pessoa fique para trás!

A hora de pensar no que o seu filho ou filha vai ser quando crescer é assim que ele ou ela nasce - exatamente como todo mundo faz.


Flávia Parente - Movimento Paratodos.

O movimento Paratodos tem o objetivo de promover a inclusão, provocando reflexões, propondo ações e gerando mudanças – conscientes e consistentes – em toda a sociedade (comunidade, escola, empresa, governo).

https://www.paratodos.net.br/

A sua doação vai além do valor financeiro,
ela apoia a conquista de autonomia de pessoas com deficiências.

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