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O futuro no presente

O futuro chegou. A pandemia do novo coronavírus antecipou e acelerou cenários que estavam começando a despontar, como o ensino à distância para crianças, o trabalho em casa, a telemedicina, para citar apenas aqueles mais presentes em nosso dia a dia. Oportunidades? Muitas. Desafios? Inúmeros, enormes.

Se por um lado as soluções acima possibilitam conforto, comodidade, flexibilidade e qualidade de vida, por outro exigem negociações familiares para que todos sejam atendidos em suas necessidades, desejos e vontades..

Esse momento de isolamento social é o momento concreto para pensarmos, enquanto famílias e profissionais, sobre como o intenso convívio afeta a dinâmica entre as  pessoas que dividem um espaço,  os arranjos, direitos e deveres. Inevitável refletir sobre a ocupação e utilização dos espaços, horários, prioridades, limpeza, alimentação,  como utilizamos o lugar em que moramos para favorecer uma nova dinâmica entre as  pessoas que vivem na casa.

Percebemos o quanto podemos ou não estar vulneráveis ao risco de pegar o vírus e, a partir dessa sensação, nos questionamos qual é a nossa rede de apoio, como estamos frente à autonomia, independência, protagonismo. Descobrimos sentimentos novos, que às vezes não entendemos, que surgem nesse ambiente de insegurança.

Além disso, há a preocupação com a instabilidade financeira, o medo do que vem pela frente em relação aos nossos trabalhos. E o excesso de informação, em tempo real, na TV, no tablet, no celular, notícias alarmantes todos os dias.  Como lidar com tudo isso? Nem tudo são flores nessa situação.

Que recursos pessoais meu filho tem? A família é fundamental na construção do lugar de pertencimento e da expressão da pessoa com deficiência. Incentivos, oportunidades e apoios apropriados, favorecem que a pessoa com deficiência possa encontrar o melhor meio para descobrir e desenvolver suas capacidades e aptidões. Fazer parte das ações da família e da casa, efetivamente, abrem novas possibilidades de nos reconhecermos na relação com o outro.

Será que devo investir na autonomia do meu filho, agora? Como você o enxerga no contexto familiar em época de crise? Não se julgue, mas aproveite esse momento para avaliar. Ele é um sujeito de direitos e dessa forma o seu caminho é de construção da sua identidade, do projeto de vida e  da relação com o meio. Entendendo o seu direito de participação nas decisões da casa e o dever de colaborar e construir. Dessa forma, como o incluímos nas preocupações  e projetos da família, ou mesmo nos projetos?

Será que as informações disponíveis em sites, lives, cartilhas, vídeos respondem aos meus questionamentos e dúvidas? Onde acesso informações confiáveis?

Listamos algumas dicas e sugestões para desenvolver e estimular recursos e estratégias que dão acesso à participação de seu filho com deficiência, a fim de melhorar o desempenho nas principais atividades da vida diária e prática.

Mas cabe a você avaliar o que é melhor para esse momento. Aproveite o processo, aprenda com a jornada, o resultado só tem o valor com base no caminho que se constrói, nos aprendizados que vivenciamos, ajustando coisas aqui e ali.

Por onde começo?

1)    Uso do calendário:

     Ajuda a organizar a rotina, com as atividades que cada membro da família irá participar.

     Ajuda a colocar as datas dadas pelo governo sobre até quando vai o isolamento social, assim concretiza que os dias vão passando.

     No calendário pode ter desenhos, símbolos, palavras que ajudem a lembrar o que é preciso fazer em cada dia.

 

2)    Estabelecer rotina:

     Horário para acordar e realizar as atividades.

     Ser responsável por olhar o calendário e se organizar frente às tarefas marcadas.

     De qualquer forma é bem interessante o exercício de fazer coisas fora da rotina também. Ajuda no exercício da flexibilidade.

 

3)    Divisão de tarefas:

     As tarefas foram divididas para uma melhor dinâmica da casa, quando estão no trabalho, escola, atividades, terapias… agora podemos repensar, não sobrecarregar ninguém, aprender coisas novas e desenvolver novas habilidades, sempre considerando os talentos e interesses de cada um.

     Qual é minha responsabilidade?  E como vou fazê-la?

     Sentar, listar tarefas e colocar no calendário, com horários, ajuda a concretizar as informações.

 

4)    Coronavírus

     Use  materiais  disponíveis na internet ( tem vários, com diferentes linguagens) e construam em família as regras para a higienização.

      Faça marcadores concretos com cartazes de identificação de procedimentos.

     Conversem em família sobre prevenção e novos hábitos de higiene.

     Dividam as informações nas conversas, para que possam construir de forma compreensível ponto a ponto. Não traga todos os conteúdos de uma vez.

 

5)    Rede de apoio

     Com quem contam em caso de alguém da família ficar doente?

     Caso o familiar de apoio precisar voltar a trabalhar, como fica a rotina pessoa com deficiência?

     É possível ter uma rede de apoio virtual?

     Você pode ou não ter uma rede de apoio em casa, como construí-la?.

 

Vamos usar esse furacão para avançar, o seu filho com deficiência pode estar pronto, precisa apenas ser acionado, como qualquer membro da família. O que ele pode fazer para contribuir?


Por Daniela Karmeli e Juliana Righini - Especialistas na área social de pessoas com deficiência

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